A fala incompleta – Exposição: UMinho Exec

A fala incompleta – Exposição: UMinho Exec: Curadoria de Helena Mendes Pereira
A fala incompleta – Exposição: UMinho Exec
Curadoria: Helena Mendes Pereira
Trabalhos apresentados: https://zetgaleria.com/pages/agendas/a-fala-incompleta
Patente: Março a Outubro de 2026
Horários: 2ª a 6ª das 9h00 às 18h30
Local: UMinho Exec – Escola de Executivos da Universidade do Minho
Morada: Universidade do Minho, Campus de Gualtar, 4710-057 Braga | Portugal
A fala incompleta (2023) é uma das onze obras que Daniela Reis (Portugal, 1980) apresenta na UMinhoExec – Escola de Executivos da Universidade do Minho – Escola de Economia, Gestão e Ciência Política da Universidade do Minho e foi ela quem me conduziu ao exercício de procurar traduzir, por palavras, o grito de inconformismo que é a sua produção.
Quando, em 1970, Michel Foucault (França, 1926-1984) assumiu a cátedra de “História dos Sistemas de Pensamento”, no Collège de France, deu uma aula inaugural, curta e densa, que intitulou como “A Ordem dos Discurso”, publicada em livro, pela primeira vez, no ano seguinte. O filósofo mostra como o discurso – linguagem em uso – é controlado, selecionado e organizado por mecanismos sociais, introduzindo a questão do poder como central e definidora de quem pode falar, sobre o quê e com que autoridade. Para Foucault, uma “fala incompleta” pode significar um discurso interrompido e deslegitimado, uma fala incapaz de produzir efeitos sociais ou uma experiência que não encontra reconhecimento na linguagem.
Na epistemologia feminista, a ideia aproxima-se muito da crítica à exclusão das vozes das mulheres da produção artística e intelectual, ou seja, de conhecimento. Autoras como Sandra Harding (EUA, 1935-2025) ou Donna Haraway (EUA, 1944) argumentam que a ciência e a filosofia tradicionais foram construídas a partir de perspetivas parciais masculinas, apresentadas como universais. Neste sentido, a “fala incompleta” pode representar experiências femininas não reconhecidas, conhecimento silenciado ou marginalizado, ou narrativas fragmentadas pela exclusão social. Ao longo da História, o silenciamento feminino foi estrutural e abalá-lo é, ainda hoje, um caminho sinuoso e pleno de dificuldades.
Daniela Reis é uma artista ativista e uma artista feminista. Na expressão luxuriante da sua figuração, grupos de mulheres em diálogo ou em catarse aparecem como cenário dominante. O trabalho é sempre político e o ruído da cor traduz-se em voz alta e em risco: só alguém com um absoluto domínio do desenho e consciência do corpo trabalha uma paleta tão rica, eletrizante e, ironicamente, estereotipada como feminina.
Daniela Reis já fez caminho: é licenciada e mestre em pintura pela Faculdade de Belas Artes de Lisboa. Expõe desde 1997 e é vencedora de prémios e louvores. No entanto, mais que currículo, foi capaz de criar uma linguagem plástica única, que se afirma pela complexidade de composições e narrativas, num último reduto de uma escola barroca que ensina a pintar o corpo e a distorcê-lo para acentuar emoções, fazendo com que cada obra seja, por si, uma recusa de silêncio.
O conjunto de obras que agora apresentamos revelam-nos uma artista e as suas causas e prometem trazer o debate sobre todas as vozes que a sociedade contemporânea teima em silenciar.
Helena Mendes Pereira
(Curadora da exposição A fala incompleta)
Trabalhos apresentados

A fala incompleta – Óleo sobre tela, 100 cm x 100 cm 
Girândola – Aguarela e colagem sobre papel, 61 cm x 46 cm. 
Plantar uma vida – Aguarela sobre papel, 61 cm x 46 cm. 
O espaço entre dois pontos – Aguarela sobre papel, 61 cm x 46 cm. 
Conhecimento e diálogo - óleo sobre tela, 60cm x 100cm 
A pecadora queimada e os anjos harmoniosos - Óleo sobre tela, 135cm x 120cm 
Para além da memória: o gesto | óleo sobre tela, 80 x 119 cm, 2021 
Para além da memória: o olhar | óleo sobre tela, 80 x 119 cm, 2021 
Diários da Sanidade | Série: 5/11 - acrílico sobre papel, 50 x 70 cm 
Diários da Sanidade | Série: 6/11 - acrílico sobre papel, 50 x 70 cm 
Diários da Sanidade | Série:7/11 - acrílico sobre papel, 50 x 70 cm










